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Medeia – o que aconteceu para que o Medo se tornasse nosso Rei.

3 abr

Esse é o título da nova peça que escrevo. Hoje fui obrigada a parar tudo e escrever bastante. Culpa da Maiara. Culpa da Roberta.

Será esta minha contribuição às quatro: uma peça, antes farsa do que trágica, uma Medeia que poderia ter sido e nunca o é. Minha Medeia, menos feiticeira e mais tonta, menos culpada e mais agredida, menos mítica e mais doméstica.

A peça nasce dum fiapo real de suspeita, que conto de maneira exagerada (a ficção é sempre minha rota, minha terra e meu alimento): que Eurípedes, querendo ganhar o grande prêmio da Dionísia e não ter problemas com os coríntios, fez sua personagem Medeia assassinar os próprios filhos. Pior que, mesmo apresentando no palco um triller de horror, Eurípedes se deu mal, não ganhou o coração dos jurados. E a figura da Medeia, se deu pior ainda. De feiticeira consagrada, decaiu a filicida.

Aí logo pensei: vou inverter tudo. Lembrei da Mari Flesch que durante um tempão estudou a Medeia. No fundo, não inverti tanto assim. Está em processo.

Tudo isso pq assisti um bom trecho de Medeia, de Pasolini, um grande. Comecei assisti após concluir o Minha Noite com Ela, do Eric Rohmer. Filmes que a Roberta nos emprestou, que fazem parte de nossa pesquisa. Por hora, não faço comentários profundos. É tudo muito recente. Eu é que não ser a Maria Callas, pra acordar de manhã e hipnotizar o espelho assim:

+ Medéia, de Pasolini – uma tradução desconstrutora, texto de  Ulysses Maciel (UERJ)
+ Minha Noite com Ela por Ela (Rohmer, 1969), por Bernardo Brum