ritual marítimo

2 maio

pinto pra dar uma face ao medo – paula rego

paula rego

No poço, estava um peixe que comeu a mulher de um trago só, sem a mastigar. Logo a seguir, passou pelo poço o criado do rei, que pescou o peixe. Na cozinha do palácio, as criadas, a arranjarem o peixe, descobriram a mulher dentro do peixe. Como o peixe comeu a mulher mal a mulher se matou e o criado pescou o peixe mal o peixe comeu a mulher e as criadas abriram o peixe mal o peixe foi pescado pelo criado, a mulher não morreu e o peixe morreu. – adília lopes

pesadelos. queriam roubar meu bebê. pensei em esconder no armário. os cílios da criança – imensos – caíam e nasciam de novo na palma da minha mão. tive tanto medo, e quis fugir. vocês duas, aninha e rô, iam comigo num carro branco (ambulância?). conto o sonho e ficamos presas, de cabeça pra baixo, no quarto de luz branca fortíssima — iluminação de hospital. queriam nos puxar de lá com tesouras.

outra fuga: quarto escuro, e coloco a criatura-filhote, fragilíssima, enrolada em panos dentro do armário. tenho medo que morra sufocada. ouço o perigo lá fora — mais perto, mais perto. grito muito: mãe, por favor, me acorde. por favor, me acorde. sonho dentro do sonho. demoro a voltar à superfície. assustada, não quero mais dormir.

paula rego misturada às alucinações entorpecidas de antes. e fiapos de ideias-martelo.

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