a “mulher” é uma imagem

29 abr

sharon stone revive ophélia p/ o fotógrafo de moda tony duran

: a imagem de uma mulher morta. a frase é da márcia tiburi,  amada, NESTE ARTIGO.

ana, roberta e yo iremos à pinacoteca assistir à exposição da paula rego

lembrei agora de uma das epígrafes do livrinho inédito da rô, saturações de saturno:

podemos chorar à frente de um quadro, mas não resolve nada – gonçalo m. tavares

curiosidade. sonhei com a lilian aquino: usava na cabeça um navio-dobradura.  o lugar da pintura onírica: sala de aula abarrotada de gente. e abigail na fila do meio.

entre as presenças, o deputado francisco everardo de oliveira silva (tiririca), encostado na parede – fileira bem longe da porta. ao fundo, na turma da bagunça, um político sem nome. a professora pergunta: quem é a favor da legalização do aborto? alvoroço. disse que disse. lilian vai falar. acordo. mais um daqueles sonhos de regresso à superfície.

deixo a márcia ecoar:

Nos últimos 200 anos, a representação de Ofélia parece seguir certa unanimidade, ou bem Ofélia é representada louca ou morta. (…) A morte como forma central do imaginário dos homens sobre mulheres é a questão central deste trabalho interessado em compreender os fundamentos da necrofilia cultural, desse “padrão cultural de se matarem mulheres” que aparece na pesquisa sociológica de Eva Blay e é tão bem exposto na história da arte nessa espécie de culto da mulher cadáver.

Que a imaginação seja “mulher” impõe uma correspondência fantasmática e nociva para as mulheres: a imagem é metonímia para a mulher. A mulher é vista como imagem, eis também um modo de matar outra coisa que ela possa ser, sobretudo seu potencial político. A principal imagem de uma mulher, bem como a essencial imagem “da mulher” na história patriarcal moderna, é a imagem de uma mulher morta. Mas filosofia e arte se unem em necrofilia desde a tragédia grega. Seria esse o verdadeiro nome de
seu projeto? A história do pensamento que tentou submeter as imagens se une a essa mesma história que estabelece uma reunião entre a morte e as mulheres. É essa mulher morta, emblemática do que é a história dos homens, símbolo da aniquilação pela qual se alcança na história e na experiência dos homens que a constituiu o absoluto do gozo escópico em que o olho se torna o órgão devorador do mundo, com toda a carga de efeitos e ressonâncias suspeitáveis em termos políticos, o que convém ter em mente quando se analisa uma figura como Ofélia: imagem de um gozo masculino – sendo o masculino nada mais do que um modo de ver a mulher, de posicionar-se diante dela.

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3 Respostas to “a “mulher” é uma imagem”

  1. Lilian Aquino maio 1, 2011 às 4:01 am #

    Mai, querida. Adoros seus sonhos, adora você.

    Este foi realmente incrível, eu parecendo (ou querendo ser) criança com uma dobradura de “dia de sete de setembro” na escola. um deputado também infantilizado. e um assunto seriísssimo. e eu falo, mas você acorda e não sabe quê. quanto imagem! engraçado, tudo isso diz muito sobre mim, aliás. eu devo ter seguido minha fala nesse mundo apaixonado do inconsciente, ao mesmo tempo em que vc já acordada seguia a vida, eu talvez tenha dito que ser criança é coisa de muita atitude e decidir sobre fazer ou não um aborto só cabe à mulher, não ao Estado.

    beijos muitos

  2. Lilian Aquino maio 1, 2011 às 9:55 pm #

    Afe, quem mandou escrever sonolenta no meio da madrugada? Olha que comentário mais truncado e cheio de errinhos! :s

Trackbacks/Pingbacks

  1. melancholia y chaos « Corpo Estranho - outubro 3, 2011

    […] mais um golpe súbito, e desta vez fatal. a ophelia, de millais, é a típica imagem romântica da mulher morta. referência AQUI. […]

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